Fechar [X]

ARQUIVO Skate Para Meninas

Patiane de Freitas, switch heelflip False

Por Evelyn Leine

Curtir

12/08/2009

O ARQUIVO Skate Para Meninas visa juntar informações de diversos formatos com o tema skate feminino, que tenham sido publicadas na mídia em geral. A intenção dessa iniciativa do Skate Para Meninas é formar um arquivo histórico para que todos possam ter acesso à diversos acontecimentos na trajetória do skate feminino brasileiro. Vamos fixar nossa história para as futuras gerações e também oferecer acessibilidade, tanto para curiosos como para aqueles que estudam o Skate, especificamente o feminino. Serão matérias, artigos, fotos, vídeos, anúncios, editoriais e estudos, enfim, tudo que tenha ligação com o tema.

Para inaugurar essa seção, o SPM vai mostrar as primeiras matérias sobre skate feminino publicada na revista CemporcentoSKATE. Começando por Patiane de Freitas, que atualmente continua residente na Califórnia, Estados Unidos, com o skate presente na sua vida apenas como lazer. Na entrevista, ela fala de como foram suas primeiras idas à Califórnia, os patrocínios e como foi a filmagem para o vídeo Villa Villa Cola, lançado em 2004. Afinal, como ela mesma afirma na entrevista: “Quer andar de skate sempre para si mesma”. Confira abaixo a notícia original.

AJUDE O ARQUIVO SPM
Colabore com o ARQUIVO Skate Para Meninas mandando notícias que tenham saído na mídia em geral. Vale matérias, artigos, fotos, vídeos, anúncios, editoriais, estudos, enfim, qualquer material que tenha relação com o tema skate feminino. Acesse www.skateparameninas.com.br e saiba como.

 

Arquivo SPM
100%SKATE Girls - Patiane de Freitas

*Matéria publicada originalmente na revista CemporcentoSKATE, edição 86, Abril de 2005.

Texto por Cauê Muraro
Foto por Atilla Chopa

20 anos, cinco de skate
Patrocínio: Gallaz
São Paulo (SP)

Patiane de Freitas é o principal nome do skate feminino brasileiro atualmente. Não é difícil ver garotas de vários cantos do país tomando-na como referência. Dentre os motivos que fizeram com que ela fosse alçada a essa condição, está um skate de alta qualidade, estilo e uma personalidade forte. Depois de se tornar destaque no Brasil desde 2001, Patiane passou uma temporada nos EUA, no segundo semestre de 2003. Tinha pouco dinheiro, quantia que mal seria suficiente para passar dois meses. Ficou seis, entre julho e dezembro. A estadia por lá, embora rápida, foi proveitosa, ela diz. Tanto que voltou no ano seguinte, desta vez para permanecer por um tempo maior. Conseguiu um patrocínio, viajou por vários países, correu campeonatos do circuito mundial, teve uma boa parte editada no vídeo americano de skate feminino “Getting Nowhere Faster” – Villa Villa Cola Video (2004), aproveitou bastante. Apesar disso, conta que este segundo período no estrangeiro foi difícil em certos aspectos, por exemplo a frustração com um problema no joelho que vinha de tempos e que parecia curado e momentos de solidão. Patiane afirma que, mesmo com esse mal-estar, prefere não fazer drama. Quer andar de skate, sempre para si mesma. É isso que ela fez. É o que está dito nesta entrevista.

Como foi sua primeira ida aos EUA?
Na primeira vez, eu fui com a Karen (Jones), e foi tudo “do além”, eu estava voltando a andar, porque tinha operado o joelho. Voltei a andar no final de 2002 e em maio de 2003, um mês antes da viagem, a Karen falou: “Eu estou indo para os EUA, vamos aí?”. Eu fiz mó “corrida” e fui na louca, com o dinheiro pra ficar dois meses, mil dólares. Falei “Seja o que Deus quiser, eu vou”. Cheguei lá e no começo a gente ficou dois meses sem fazer nada, na casa onde morava a Ana Paula (Negrão, skatista e fotografa brasileira que mora nos EUA há vários anos), em Orange County, não Los Angeles. Só depois que eu conheci a Lisa (Araújo, também brasileira e editora da revista de skate feminino Check it Out Girls) e ela falou: “Vem aqui pra Los Angeles, fica uns dias na minha casa”. Aí eu fui e me amarrei, tinha como ir nos picos de metrô ou ônibus, então comecei a andar, conheci uma galera, fui pra um campeonato e fiquei em segundo, ganhei um dinheiro... Mesmo assim, eu ganhava muito pouco, mas a Lisa falou: “Muda sua passagem de volta pro Brasil pra dezembro”, e eu mudei. Fiz uns amigos, aprendi a falar inglês um pouco, também fiz um mês de escola. O ruim é que essa escola de inglês era a mesma onde eu andava de skate, aí eu ia andar, parei a escola (risos).

E como foi a entrada na Gallaz?
Em Los Angeles moram a Lisa e a Luciana (Ellington, também editora do Check it Out). E a Lisa chegou a me apresentar pra umas marcas e pedia pra mandarem um monte de coisas pra mim. Então em setembro de 2003 teve o Vans Triple Crow e eu fiquei em terceiro. Nisso, uma mulhe da Gallaz me viu e achou legal, e eu até tinha pego um tênis com ela. No ano passado, logo quando cheguei, eu pedi mais tênis pra ela e fui pedindo, pedindo, até que acertei o contrato. Eu falava “Manda um tênis...”, e eles mandavam. Depois: “Manda pro Canadá”, e eles mandavam. Até que falei: “Me patrocina aí...”, e me patrocinaram, entrei na Gallaz, no ano passado. Quando assinei o contrato, foimeio assim: o que eles me ofereceram eu abracei de primeira, mas foi um contrato bem legal até. Falei: “Ta ótimo”. Mas agora há peguei moral pra exigir um pouco mais. Eu não tinha salário, e agora já pedi um salário da hora. No primeiro contrato você fala: “Nossa, ta bom, ta bom”.

Quando você voltou dos EUA pro Brasil na primeira vez, em dezembro de 2003, já tinha a intenção de voltar pros EUA novamente em 2004?
Em vim pro Brasil querendo voltar lá de novo, porque seis meses é muito pouco. Nessa segunda vez que fui pra lá, eu fui bem sozinha, bem na raça, pra me virar. Fiquei uma cara na Luciana, em Los Angeles. Viajei pra um monte de lugar, fui convidada pros X Games, fui pro Gravity Games, pro Canadá duas vezes, Alemanha. Em todos os campeonatos da WCS (Wolrd Cup Fo Skateboarding) eu fui, menos o da Austrália. Com o dinheiro que ganhava era que eu comia. Mas no ano passado também passei mal, foi um ano meio ruim pra mim. Um dia eu estava andando na pista, numa cantoneira, e bati o joelho. Meu joelho inchou, eu não sabia o que era e estava sem poder andar, foi bem na época do X Games. Só depois que eu fui saber que o parafuso tinha quebrado. Inclusive vim operar para arrumar isso agora, aqui no Brasil. Fiquei uns três meses sem andar e agora já está tudo bem.

Como foi a adaptação nos EUA?
Mas logo quando cheguei lá na primeira vez, a gente ficou numa casa que só tiinha brasileiro, nem sofri com a adaptação, nem tive problema. E depois eu fui pra Los Angeles, então me amarrei. A segunda vez já foi mais difícil. Na primeira vez que você vai, é só alegria, todo mundo é seu amigo, quer ajudar. Na segunda, é meio assim: “Se vira”. E eu sempre fui de me virar, então não fez muita diferença.

Como foram as filmagens para o Villa Villa Cola?
As minhas imagens foram filmadas 70% na primeira vez que eu fui. Naquela vez, nos últimos quatro meses em LA eu conheci a mina que filmava. EU ia andar tão empolgada que todo dia rendia alguma coisa, e pensava: “to andando na rua”, é mó emoção. No ano passado, quase não filmei, por causa dessa porcaria de joelho...

Nos EUA, você pretende só viver do skate ou estudar também?
No ano que vem eu pretendo estudar. Provavelmente eu volto pra lá em abril ou maio, vai ter uma tour da Gallaz. Mas agora eu só vou quando eu ver um esquema bom, não quero ficar indo pra campeonato. Quero ir mais com o pé no chão. Tem gente que acha que é chegar Léa e falar pras marcas mandarem um tênis, por exemplo, os caras podem mandar, mas não significa que isso é patrocínio.

E como é correr campeonatos pelo mundo?
Quer que eu fale a real pra você? Eu fui em fevereiro pra Austrália, sozinha, não conhecia ninguém, não tinha nenhuma amiga. Eu fiquei tão “na nóia” que falei: “Não quero mais ir”. Antes da Austrália, eu até achava da hora ir, conhecer, mas... Não quero que na gringa seja sempre a mesma coisa, de ir pros mesmos campeonatos, os mesmo lugar, os mesmo campeonatos, o bagulho não evolui. Senão, daqui a cinco anos, fica tudo igual, e não quero...

 

 

 

Notícias relacionadas
Mais notícias

Para acessar com a sua conta do Facebook, é necessário que você esteja cadastrado no site.

Já sou Cadastrado! Cadastre-se

Para acessar com a sua conta do Twitter, é necessário que você esteja cadastrado no site.

Já sou Cadastrado! Cadastre-se