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Entrevista: Alexandre Cotinz

Frontside ollie (foto: R. Custodio) False

Por Marcelo Viegas

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03/05/2012

A edição especial de Música da revista CemporcentoSKATE (# 170) traz uma entrevista reveladora e divertidíssima com o skatista Alexandre Cotinz. Intitulado “E Ninguém Cria Um Filho Pra Ser Assim”, o bate-papo aborda assuntos como gosto musical, baladas, trilha sonora do Beats, shows, manias alimentícias, estilo de vida Beatnik, homofobia e, é claro, Skate! Com exclusividade para o Portal Web, separamos trechos e fotos inéditas dessa conversa. Confira!

VÍDEOS

Fale um pouco da sua história na produção de vídeos de skate...
O primeiro foi o Nóis 1, o segundo foi o Nóis 2 e o terceiro foi o ÇYMN. Porque quem estava no vídeo era “nóis”: eu e uns camaradas da escola. Esses dois primeiros foram editados de VHS pra VHS mesmo. Marcava mais ou menos quanto tempo tinha e escolhia a música. Escolhia a música baseado nisso. Tinha que ter mais música do que parte. Aí eu via a intro da música e editava a intro e depois colocava a parte. Ficava com uma qualidade horrível. Eu não tinha técnica, não sabia como fazer. Fui aprendendo na marra. Eu nem sabia que era assim que as pessoas editavam antes. Eu pensava que era tudo no computador. Eu era moleque e não passava na minha cabeça que numa época, antigamente, todo mundo teve que editar assim também. Mas eu nem sabia! E o ÇYMN foi o primeiro que editei num computador podre, e como não tinha espaço de HD a gente comprimia os arquivos, e ficava pior pra editar. Só que a gente (um amigo e eu) não tinha conhecimento, técnica, etc. A gente começou a editar no computador e não sabia que um arquivo comprimido era bem pior pra editar. A gente sofria pra caralho e fomos descobrir, depois, que se tivéssemos deixado os arquivos sem compressão era mais fácil. Só que não tinha HD suficiente, tinha 200 Mega, tá ligado? (risos)

Esses vídeos foram basicamente pra vocês mesmos verem?
Sim. Nem a gente tem. Só eu tenho. Os caras perdem, aí não tem mais cópia, porque é tudo VHS. Filmava com uma Hi8 e fazia de VHS. Eu trampei de Office Boy pro meu pai pra ele comprar uma Hi8 pra mim. Quando eu tinha uns 15 anos, fiquei uns 4 meses trampando de Office Boy sem receber e aí ele me deu uma câmera.

Foi sua primeira câmera?
Foi. Depois, quando eu estava fazendo faculdade e estagiando (e era remunerado), aí comprei uma mini DV. Juntei um pouco mais de grana, fiz uma coisinha ou outra de edição de Skate e comprei uma câmera de verdade.

Do ÇYMN em 2003 você foi direto pro primeiro Antihorario?
Foi. Na verdade, no ÇYMN já tem umas coisas que filmei pro Antihorario. Porque quando comecei a editar o ÇYMN eu já estava viajando e fazendo sessão com o Renato (Custodio), conhecendo gente do Skate mesmo. Tem uma manobra do Nava no ÇYMN, é uma coisa que já foi mais avançada. Só que ai já estava metade editado, a gente editou um pouquinho mais e lançou. Só que é bem livre de qualquer qualidade, tipo “controle de qualidade”, de música já usada. Tem umas 4 músicas já usadas no vídeo. Foi bem pra gente mesmo, mas foi bom porque eu experimentei bastante. O Beats foi bem inspirado na edição do ÇYMN. Tipo, fazer bem psicodélico, deixar meio maçante as músicas, etc. Eu acho o Beats assim!

Já o Antihorario tem uma linguagem mais limpa, bem mais limpa, do que o Beats.
É, bem mais. Mas, o primeiro Antihorario foi uma coisa que a gente começou a gravar, aprendendo a gravar. Eu gravava os noseblunts de back do Maizena nos picos que ninguém dá, ou as linhas do Luan que ninguém dá, aprendendo a filmar. E tudo bem mais ou menos. Era em Mini DV, não tinha muita qualidade de imagem, não tinha muita qualidade técnica em algumas coisas, sabe? A gente falava: "Vamos soltar esse e se empenhar no próximo”. Aí, o volume 01 lado B foi o que eu me empenhei em técnica. Aprendi a filmar, aprendi a gravar. E, como era uma coisa meio que pra mostrar que a gente consegue fazer, pra mostrar pro mercado (e até pra gente mesmo, sabe?), então tinha que ser uma coisa mais quadrada, mais... que nem é na escola. Toda vez que você estuda algo na faculdade, você faz bem mais quadrado do que quando você sabe fazer um trampo, quase em qualquer área, e ainda mais nessa de criação. Então fizemos uma coisa pra agradar o público mesmo, pra dizer: “A Antihorario existe, tá aqui”. E aí, depois disso, eu vi que não deu retorno financeiro o vídeo. E falei: "Puta, se for pra fazer vídeo e não ter retorno financeiro, então foda-se, vou fazer do meu jeito!” Isso foi até engraçado, porque o Antihorario que a gente fez pro mercado, a gente conversou com umas marcas, mas ninguém fechou, e no Beats eu conversava com as marcas e falava: "Vou fazer do meu jeito e foda-se. Vai ter coisa que vai desagradar e talvez não seja exatamente o marketing da marca, mas vou fazer o vídeo assim. Vocês querem fechar?". Eu explicava antes de fechar. E os caras aceitaram: "Tudo bem, vamos fazer!" E aí pro Beats eu consegui patrocínio, que foi o contrário, porque o Beats era o foda-se (risos).

FACULDADES

Você começou duas faculdades e parou as duas, o que seu pai acha disso?
Ah, meu pai fica puto até hoje. Uma eu parei porque não estava muito feliz com o curso e aí eu comecei a fazer outra. Na outra, foi bem na época do Volume 01 lado B, aí eu parei por causa disso. E também eu não conseguia estudar. Eu ficava pensando em Skate, pensando em andar, em viajar. E viajava. No meio do semestre eu ia pro Rio de Janeiro, pra Porto (Alegre), e ai não dava, então falei: “Não vou fazer faculdade à toa”. Ficar empurrando com a barriga e não aprender, correr atrás de nota, etc. No fim eu ia acabar saindo com o diploma e sem conhecimento. Hoje eu penso em estudar, talvez no ano que vem ou quando ficar um pouco mais velho, mas penso mesmo em estudar. Porque hoje eu já tenho mais cabeça, mais cultura pra entrar, olhar e aprender. Antes não tinha tanto interesse. Eu com 20 anos ainda era pivete. Não tinha cabeça pra estudar. Então preferi não fazer, e hoje quero voltar a estudar, porque vou aprender de verdade. Na época eu pensei, “vou deixar a faculdade e fazer vídeo de Skate, que é o que eu gosto de fazer”. Hoje em dia eu já tenho cabeça pra gostar de aprender. Eu quero fazer faculdade de Cinema. Quero aprender a fazer um roteiro, etc.

Você pensa no futuro em fazer vídeo que não seja de Skate?
Eu penso até no presente em fazer. Eu estou tentando começar a fazer, mas tenho um problema com ideias: tudo que eu penso, já fizeram, e aí eu fico desanimado de fazer. Eu só consigo fazer uma coisa que eu acho que é original.

Como documentarista ou ficção?
Os dois. Mas eu não penso exatamente: “ah, eu quero fazer uma ficção que vai ser assim, assim, assim”. Porque o que eu penso mais é no clima do filme, no ritmo do filme, ajudar com trilha. Penso mais nisso, não penso muito no conceito inicial, na premissa. E aí preciso de alguém pra me ajudar, pra me dar um roteiro, uma ideia, e isso é muito difícil de pedir. Achar alguém que vai falar alguma coisa e a gente vai se pilhar de fazer junto.

Mas esse alguém pode ser você mesmo com a faculdade!
Exatamente. Quando for estudar eu vou fazer Cinema, curso de 2 anos, e você tem que fazer curta-metragem. Isso te força a fazer! As vezes eu tenho uma ideia de curta e acaba morrendo, porque não sei se consigo executar. Lá você tem que executar! E aí eu vou aprender a fazer, conhecer gente, fazer coisas. Não sei se você viu um vídeo que eu fiz chamado “Smifty”, que é a mistura de smith com fifty. 30 segundos de vídeo, mas é o máximo de ideia que consegui ter, ainda mais pelo clima do bagulho. O Smifty é quando você vai dar um smith e pega a roda, pega um pouco do eixo, e você dá um fifty com corpo de smith, e o skate torto. Falei: “isso é muito deprê”! Aí tentei fazer um vídeo meio deprê, que é o que o smifty me passava. Tipo, “porra, não era isso, não é gostoso”

- Vídeo de Alexandre Cotinz:

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