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Entrevista José Oliveira

Backside hurricane 180 out (foto: Fernando Gomes) False

Por CemporcentoSKATE

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21/01/2015

Entrevista: José Oliveira

16 anos / Salvador (BA) / 4 anos de skate

Vida Livre / ORIG Skateshop

José Oliveira é entrevistado da edição 187 da CemporcentoSKATE. Confira aqui a íntegra da entrevista, feita com a ajuda de Andre Genovesi, Adelmo Jr., JN Charles, o fotógrafo Paulo Macedo e Wilson Simões.

entrevista por Adelmo Jr.:

Você e a galera de Aracaju (SE) são muito próximos, assim como era no início dos anos 90 quando estávamos sempre em Salvador e todos de lá sempre em Aracaju. Quem são seus companheiros de sessão quando esta em Aracaju e como se deu essa grande amizade? Desde quando comecei a andar de skate sempre curti a pista Cara de Sapo e sempre que podia estava por lá, acabei fazendo mais amizades quando passei 1 mês na casa de meu amigo irmão JN Charles, onde conheci toda a galera: Rodrigo, Felipe Gouveia, Joãozinho, Silvio, Fernanda, Geovani, Ramon Ribeiro, Fabinho, Edu, Oreia, Geovani. Nesta mesma viagem acabamos indo para Maceió onde conheci muitas outras pessoas do nordeste que fazem hoje parte do meu ciclo de amigos.

Seu tio é surfista e você surfava antes de andar de skate, você acha que vir do surfe ajuda em algo no skate ? Acredito que em todos os esportes existem uma essência, e através de meu tio Silvio Oliveira aprendi essa essência. Me foi passada de forma natural e hoje eu posso utilizá-la não só no skate mais ao longo de toda a minha vida. O surfe é uma das minhas origens e o skate minha alma.

Como você vê a cena do skate baiano atualmente ? A cena do skate baiano vem crescendo a cada dia apesar de ainda existirem algumas pessoas que não conseguem se adaptar as mudanças, acreditando em algumas coisas passadas e que não as levam a nada. Com a ORIG ajudamos a resgatar um pouco a auto estima de todos no nordeste, investindo de forma pesada na recuperação da representatividade que o nordeste merece ter. Quero mandar um grande abraço pra alguns nomes importantes de Salvador: Alex Cardoso, Joseval Lisboa, Bruno Martins, Kino, China e todos que estão na Bahia andando de skate principalmente na ruas.

Você começou a andar num momento que os vídeos são constantemente assistidos na internet. Você tenta buscar os vídeos antigos também ou prefere assistir os que vão sendo lançados? Fale alguns dos seus favoritos. Minha opinião é que com tanta facilidade alguns vídeos perderam a graça. Não sou dessa época, mas sempre ouço comentários de amigos mais velhos sobre o quanto dava ansiedade e vontade de assistir os filmes que demoravam pra chegar, pois não existia internet e os videos eram passados de mão em mão. Hoje assistimos novos vídeos e cinco minutos depois não lembramos nem de 1/3 das manobras. Gosto muito de assistir alguns vídeos mais antigos e alternativos como a série de videos do Static, Select Vídeo aqui de Salvador, Gold Fish da Girl. E algumas video partes também que gosto muito de relembrar como a sua para o video da Arcade ou a parte do JN Charles no Cesar Prod.

entrevista por JN Charles:

Você é mais uma nova revelação do skate nacional. O que pensa sobre isso? Na verdade nunca me vi como uma revelação nacional, isso pra mim é até novidade, mas estou trabalhando para daqui a algum tempo conseguir realmente garantir o meu espaço no skate brasileiro.

Como você imagina que vai ser a sua evolução no skate em 10 anos ? Eu acredito que esta evolução será gradual, pois quanto mais eu me dedicar, mais irei progredir. Alguns medos e barreiras terão que ser quebrados. Isso faz parte de qualquer processo evolutivo.

Qual o tipo de skate da atualidade que você mais se identifica? Me identifico muito com o estilo criativo e alternativo de andar de skate, entre eles posso destacar Daniel Marques, Akira, Austin Gillette, Mark Suciu e o Miles Silva.

O que um skatista precisa ter para se destacar no mercado do skate? Acredito que uma boa base familiar ajuda muito nesse processo, incentivo das marcas, muita vontade de andar de skate e um pouco de dinheiro para poder viajar e conhecer novos lugares.

Quando você sai para andar diariamente que tipo de lugares te motivam a sempre tentar novas manobras? Não tenho muitas restrições de um lugar ou outro, com tanto que eles sejam skataveis, tento me adaptar e seguir evoluindo.

entrevista por Paulo Macedo (fotógrafo):

As regiões sudeste e sul do Pais são responsáveis pelas maiores produções de materiais de skate e tem o maior números de empresas no Brasil. Você acha que o skate nordestino tem condição de ter um mercado independente e viver sem depender das grandes capitais? Eu acredito que sim. O Nordeste tem e tenta atualmente buscar a sua maior independência, pois as grandes indústrias estão bem longe da nossa região. O que precisamos mesmo é agregar, juntar as forças: norte, sul, centro-oeste, sudeste ou nordeste, enfim somos todos brasileiros. 

Você ja sofreu algum preconceito por ser skatista nordestino? Sim, a todo momento. Não vou citar nem comentar muito sobre as situações ocorridas, mas como nordestino devemos erguer nossas cabeças e darmos mais valor a história que construimos no skate brasileiro.

Hoje em dia o skate dita muita moda, você acha que seu estilo esta agregado a sua personalidade ou apenas por causa de influência de outros skatistas? Somos sempre influenciados por tudo e todos, porém a questão do skate ditar moda é fato. Desde que o surf e o skate surgiram eles sempre influenciaram jovens como eu, e por isso o mundo dito da “moda” sempre tentou tirar algum proveito, mas me visto como me sinto bem!

Todos os skatistas são influenciados por outros skatistas. Fora do skate qual são suas influências? Busco minhas maiores influências nas pessoas da minha familia, meu avô, meu pai ,tio e minha mãe. No skate alguns grandes amigos me influênciam: Wilson Simões , JN Charles , China , Geo, Bruno Martins, Matheus Guerreiro e alguns outros por sempre estarem ao meu lado nessa caminhada

Além do skate você surfa, como é conciliar o skate e o surf e qual a maior diferença entre o concreto e a água? Sempre tento fazer os dois porém, o skate tem tomado a maior parte do meu tempo e o surfe acabou se tornando somente uma diversão, quando era mais jovem minha mãe não me deixava surfar sozinho, por isso acabei arrumando algo semelhante e encontrei no skate algo que acabou me completando como pessoa. A grande diferença entre o concreto e a água é que no skate costumo dizer que a técnica é um dos fatores mais importantes, pois o obstáculo sempre está lá parado. Você faz o que sua evolução permite. Já no surf existem as diferenças climáticas e os fatores onde a natureza acaba tendo uma grande influência. Mas o que mais me aproxima os dois, sem dúvida, é a liberdade e paz que ambos me trazem.

entrevista por Andre Genovesi:

O que é mais importante para você, estilo ou manobras? Porque? Acho que temos que ter um mix onde o estilo não ultrapasse as manobras nem as manobras sejam simples e sem estilo. Acredito que o skate vá além desses dois fatores, responsabilidade, comprometimento, dedicação e boas atitudes são muito mais importantes.

Como você faz para manter a qualidade do skate? Hoje em dia tudo esta muito rápido nas redes sociais e a cobrança por produzir é bem agressiva. Procuro manter minha qualidade em cima do skate através de diferentes percepções do próprio skate e dos picos que costumo andar. Mesmo com a grande cobrança de material para internet, não considero tão importante esse tipo de conteúdo. Posto coisas banais do meu dia a dia, não me preocupo com isso diretamente. Por outro lado, quando estou participando de algum projeto para algum dos meus patrocinadores sou bastante exigente com o material que será exposto na mídia.

Você tem um estilo único de andar e se vestir, de onde vem suas inspirações? Desde a primeira remada no skate acredito que procuramos nos encontrar em uma maneira que possamos nos expresser. Marcas como Habitat, Polar, Converse e Palace atualmente tem me inspirado muito.

Tenho reparado que todos andam muito de skate, até mesmo quem nem está no "game". Como você se sente no meio disso? Me sinto um pouco caindo de paraquedas em relação as manobras de hoje tão técnicas e sinistras. No meio disso tudo procuro criar minha identidade e busco meu espaço através de coisas simples, que muitas vezes passam despercebidas pelos olhos da maioria dos skatistas.

Qual são seus planos em cima do skate para os próximos anos? Trabalhar para criar uma imagem sólida no mercado do skate, talvez quem sabe me tornar uma inspiração para as novas gerações, assim como você inspira muitos de nós, acredito que os novos skatistas também precisaram desse suporte lá na frente.

 

entrevista por Wilson Simões:

Você evoluiu muito rápido desde que te conheci, em sua opinião, ao que se deve tamanha mudança em sua forma de andar de skate? Desde que eu entrei na ORIG acabei participando de muitos projetos da loja, em menos de um ano busquei minha evolução através de diferentes lugares e picos que sempre estavamos andando. Viajei pra muitos lugares e participei de algumas tours pela loja, fui três vezes à São Paulo, uma vez a Porto Alegre, duas tours pelo Nordeste e fui três vezes também para a Califórnia. Tudo isso me motivou bastante e fez com que essa evolução fosse mais rápida que o natural.

Você faz parte do time de skatistas da ORIG SKATE SHOP. Como é participar deste projeto? Participar desse projeto chega a ser indescritível, pois a loja conseguiu conquistar um respeito muito grande em muito pouco tempo, um respeito que poucas lojas possuem hoje no Brasil e isso para qualquer moleque como eu seria um sonho.

O fato de você não andar muito em bordas no chão e não fazer aquele estilo de skate de manobras complicadas em bordinhas te deixa frustrado de alguma forma? Na verdade não, faço o skate que me sinto bem. Gosto de ver alguns skatistas marretando mais na minha concepcão esse estilo de skate algumas vezes se torna muito repetitivo e acaba ficando muito chato de ver, prefiro fazer uma linha mais descontraída e deixar o skate fluir de modo mais natural.

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