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Entrevista: Kelly Bird

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Por Douglas Prieto

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11/06/2018

Kelly Bird foi skatista profissional em meados dos anos 1990, e mais tarde trabalhou na DC Shoes e Lakai Footwear. Atualmente, aos 47 anos, é gerente de marketing global da Nike SB.

Com esse histórico, Kelly acabou convivendo com nomes como Tommy Guerrero, Danny Way, Guy Mariano e Paul Rodriguez, entre tantos outros, uns como parceiro de time, outros como chefe, fazendo amigos e colecionando histórias com todos eles. Bird esteve no Brasil no mês de maio (foi sua segunda vinda ao país, a primeira em São Paulo) e visitou nossa redação.
 
 
Fale sobre sua carreira como skatista profissional.

Eu fui profissional, basicamente, de ’91 a 95' – pela Real (Skateboards), principalmente. Melhores tempos da minha vida. Eu fui para a universidade por alguns anos antes disso, mas ali eu aprendi tudo que se tornou valioso pra mim.
 
 
Quem eram seu parceiros de time na Real?
 
Salman Agah, James Kelch, Jim Thiebaud, Tommy Guerrero,  Rob "Sluggo" Boyce, Shawn Mandoli, Ed Devera, Moses Itkonen, Joey Bast, Drake Jones. Fui profissional por quatro anos, viajei o mundo com eles. 
 
 
E depois disso, você passou a trabalhar na indústria.
 
Sim. Droors and DC estavam em todo lugar, e Ken (Block) me deu a oportunidade de trabalhar com esses caras por cinco anos, um time incrível e viagens inesquecíveis. Aí Rick (Howard) e Mike (Carroll) decidiram fazer algo. Eu me coloquei à disposição, disse que adoraria ajudar, fazer parte disso. E então foram quinze anos de Lakai, onde aprendi muito sobre o negócio. A experiência foi incrível. Tive muita, muita sorte de estar ao lado de Carroll, Howard, Marc Johnson...e Guy Mariano, obviamente, no seu retorno ao skate e todo o impacto que isso causou.
 
 
Quais são os vídeos de skate que mais gosta?
 
Todo mundo diz “Video Days” (Blind, 1991), então esse é, pra minha época, muito óbvio. É claro que eu sempre terei um carinho especial pelo “Fully Flared” (Lakai 2007), por termos colocado tanto de nossas vidas nele. Acho que o produto final é prova disso.
 
 
E os atuais, mais recentes?

Hoje em dia, é difícil. Não existem muitos vídeos longos, é diferente. Você vai consumindo clips curtos, pedaços de vídeo. Acho que a construção do “Cherry” (Supreme, 2014) foi obviamente boa, sabe? Acho que trouxe de volta um lance que achavam que havia se perdido. Sabe, a vibração, a camaradagem do skate, acho que marca o vídeo bem, e a qualidade do skate mostrado, também. O que mais? É difícil dizer, existem muitos vídeos bons por aí. Esses são os que se destacam pra mim. Eu estou pensando se eu consigo ver os vídeos de novo pelo que são, mas esses são os que vem na mente.
 
 
O que você pensa sobre o skate brasileiro?
 
Eu deveria dizer que o Brasil sempre foi um exportador de skate. Tirando os EUA, o Brasil produziu o maior número de skatistas-fenômeno globais que estão aí. É legal que estando aqui(no Brasil), sabe, olhando as revistas antigas, trocando ideia com vocês, a conversa vira: “Sim! Tinha aquele cara, aquele outro cara. O que aconteceu com ele?” Sabe? Só listando os nomes, de volta ao começo dos anos 90.
 
São tantos caras bons que saíram daqui. É difícil ficar contando, diferente de outros lugares só alguns caras bons saem. Fica mais fácil fazer a conta. Aqui, tem tantos skatista bons que é difícil saber todo mundo que é do Brasil. Eu acho que isso prova a qualidade do skate daqui. É outro nível. É definitivamente outro nível.
 
 
Como é seu trabalho atual? 
 
Meu trabalho? Reuniões e mais reuniões. Reuniões e e-mails. O que faço é coordenar pessoas de diferentes times e ter certeza que as peças funcionem unidas para que todas as pessoas e times cheguem no final. É basicamente coordenar muitas pessoas. Quando você vem de um lugar pequeno, como era a Lakai, por exemplo, onde todo mundo fazia/sabia sobre tudo, fica fácil entender como funciona uma grande estrutura, porque você sabe quase tudo sobre todas a responsabilidades. O trabalho é legal porque abriu muitas oportunidades, as possibilidades são infinitas.
 
 
Recado final pros skatistas brasileiros:
 
Vocês estão sempre levantando a barra no skate, sempre puxando o nível pra cima. Então sigam fazendo isso.

 

Confira o vídeo da entrevista:


(agradecimentos: Rafael de Paula e Fernando Granja)

 

Kelly Bird - The Real Video:

Kelly Bird - Non Fiction

 
 
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