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NES é inaugurado no Plano Piloto (DF)

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Por Redação

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22/06/2018

Entrevista e fotos: Graci Santiago

Além da sede de Águas Claras, acaba de ser inaugurado mais um Núcleo Escola Skate (NES) no Distrito Federal, desta vez no Plano Piloto, no Espaço Corina.

O projeto, que leva skate até as crianças de forma didática é uma empreitada de Eduardo Mello, que bateu um papo com Graci Santiago.



Qual sua motivação principal para abrir uma escola de skate?
São muitos motivos, difícil escolher um só. Minha admiração pelo skate é o principal deles. Além disso, poder acompanhar a evolução das pessoas, independente da idade e do nível de skate, é uma honra. Sinto-me um privilegiado em oferecer condições ideais para crianças e adultos vivenciarem o skate.

Por quê o NES?
Meu amigo de longa data (e bota uns 30 anos nisso aí) Bruno Funil Collyer fundou o NES no Rio de Janeiro, em 2003. Quando vim para Brasília, em 2008, eu estava afastado do skate por causa do nascimento da minha filha, da mudança de estado e devido a uma hérnia de disco. Em 2011, operei a coluna e me livrei das dores. No ano seguinte, com a chegada de um amigo skatista do Rio que também tem relação com o NES, o Eduardo Altoé (Dudinha), tivemos a ideia de fundar um núcleo aqui e foi assim que a escola chegou ao Distrito Federal.

Sobre o novo espaço que o NES oferece agora no Corina, fale sobre e o que motivou a abrir uma escolinha lá?
O acaso me levou à Corina. Visitei o local em um evento e vi que ali tina potencial para receber uma unidade nossa. O galpão tem um chão lisinho, lindo, tem a cara de um Slides & Grinds ou de um Battle of Berrics! (risos) E o ambiente é muito legal, sempre tem molecada descalça, solta, brincando e se divertindo. Quer atitude mais skate que isso? Além disso, ter uma unidade no Plano Piloto era um desejo antigo. Queríamos atender melhor nossos clientes de Brasília que se deslocam quase 30 quilômetros para andarem no NES, em Águas Claras. Nossa ida para a sede da Corina é a união da oportunidade com a conveniência. Aproveito esse espaço para agradecer aos sócios Eduardo Golin e Heitor Heffner, e a todo o staff da cervejaria que acreditaram no nosso projeto e abriram as portas do galpão para acolher o NES.

Percebo o quanto voce se diverte com a garotada. O que espera de uma escolinha de skate, já que anos atrás as crianças aprendiam andar de skate na raça?
Eu amo a evolução. Cada aluno nosso que acerta uma linha, uma trick ou simplesmente aprende a ficar em cima do skate com base nos enche de alegria. Cada um tem sua batalha a vencer e respeitamos muito isso. Do garoto ao adulto, todos superam limites, cada um com seu tamanho, e por isso eles têm nosso incentivo incondicional e total admiração. O Lucca Serafim, por exemplo, um menino de 13 anos, veio para a gente sem saber dar impulso e está andando muito. O mérito é todo dele, o nosso foi o de incentivar para que isso acontecesse. O Luiz Paulo Gonzalez, que chegou ao NES na casa do “enta” (risos) – tem 40 e poucos anos hoje – sem saber dropar num quarter e agora faz uma linha de 45 segundos segura, com velocidade e manobras corridaças nas bordas das nossas minirrampas. E temos meninos que ficam felizes demais em apenas irem para o NES e conviver com outras crianças, sentido-se pertencentes a um grupo. Porque andando de skate ali ele sabe que não há diferenciação. Alguns sofrem bullying nas escolas e, ao andar de skate, se sentem mais confiantes, mais fortes inclusive para encarar a vida. Eu vejo o NES muito mais como uma escola para a vida do que para o skate, não me preocupo com o lugar que eles começam a andar de skate. Sabemos do nosso papel social e amamos ter essa responsabilidade.

Hoje em dia existe muito incentivo para a galera andar de skate, várias ONG’s, varios eventos sem e com fins lucrativos, mas que de certa forma mesmo assim “lucrando, como posso dizer, é tudo na raça e amor de certa forma. E no NES você também criou um incentivo as meninas que já sabem andar de skate e  podem andar de graça da pista. O que tem para falar sobre essas questoes citadas acima?
Olha, nem acho que haja esse incentivo todo, hein? Acho errado a gente fazer eventos apenas na raça, no amor. Isso tem de haver, isso é atitude skateboard, mas não é justo para fortalecer a cena. Aqui no DF isso fica muito claro. Tem guerreiros fazendo eventos de todo o tipo no braço, dependendo do corre de cada um. Aí, um faz um evento aqui, outro ali e o coletivo perde. Tem de bater palmas para eles, que sem dinheiro e tirando do próprio bolso, fazem as coisas acontecerem. Mas está errrado, tinha de entrar investimento de quem se beneficia do mercado. As marcas têm de botar a cara e tirar o escorpião do bolso. Botar dinheiro mesmo. As empresas têm de devolver mais para o skate. Tentamos dar a nossa contribuição para o coletivo, apoiando os pequenos e incentivando as meninas, mas é muito pouco.

Algum campeonato em vista?
Teremos eventos exclusivos para as meninas e para a molecada do skate de base, que são muito carentes de eventos e competições exclusivas, voltadas somente para eles. Não que eu considere isso essencial para o skate, tanto é que nesses seis anos de funcionamento do NES aqui em Brasília, nunca fizemos algo assim. Mas a molecada gosta e sempre me pergunta. Então, por que não atendê-los? Bora fazer!

Considerações finais?
Tenho uma bronca com as marcas que não ligam para o skate de base. As empresas querem skatistas prontos e não olham para os pequenos nem para a formação deles. Muitas das marcas maiores são geridas por gente de fora do skate e têm uma visão ultrapassada, fazem mais do mesmo e nem se incomodam com isso. Quero aproveitar esse espaço para fazer esse apelo: o skate tem uma importância social tão grande que incentivos maiores seriam importantes não só para descobrir novos talentos, mas para dar oportunidades de vida a muitas crianças.


Embora os skatistas neguem ou omitam, no skate sempre existiu vaidade. As redes sociais escancararam isso. A garotada fica muito preocupada em marca, roupa, visual e outfit (risos). Tem que andar de skate e se preocupar menos com essas coisas. Se divertir mais e se importar menos com o que os outros estão vestindo ou as tricks quase impossíveis que estão acertando e postando internet. Usem essa inundação de conteúdo e de informação como inspiração. Assimilem tudo isso e transformem em algo autoral, pessoal. A ideia que eu posso dar a eles como velho gralha que sou é menos Instagram e mais vivência. Menos ego e mais coletividade. Isso deixa as relações mais sólidas e, consequentemente, fotalece o skate.

 



Confira fotos mais abaixo: 

 
 
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