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Radiografia do Skate - O corpo

Ilustração Jey False

Por Charles Franco

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06/02/2013

Radiografia do Skate - O corpo
Texto Charles Franco e Ilustração Jey

Cair é tão presente em nosso dia a dia como o prazer de andar de skate e acertar novas manobras. É comum ouvirmos frases do tipo: “faz parte” ou então “é assim que se aprende”. Mas, convenhamos, somente quem sente na pele as dores de impactos, torções e ralados sabe o quão gratificante é conseguir voltar uma manobra sem que esses percalços estejam presentes.

Como qualquer atividade física de alto rendimento, as lesões provocadas pela prática do skate são constantes e o desgaste devido aos movimentos e esforços repetitivos são inevitáveis. Pegue como exemplo atletas de outros esportes como: ginástica olímpica, lutadores profissionais, nadadores, ciclistas e etc. O convívio com a dor, sessões de fisioterapia e anti-inflamatórios fazem parte da vida dessas pessoas, e com o skatista não é diferente. Apesar de ser encarado como esporte não convencional, o skate exige ritmo de treinamento e sessões diárias. 

Um skatista não precisa necessariamente seguir o profissionalismo para desenvolver problemas crônicos e um quadro ortopédico peculiar, como ossos e más formações por repetidas contusões em locais como articulações, joelhos, tornozelos e tendões. Esse fato leva o skatista a aprender, na prática, técnicas de recuperação, como analgesia (gelo), repouso e como tratar de uma lesão. 

Procuramos alguns profissionais da saúde, como médicos, cirurgiões dentistas e fisioterapeutas, e identificamos as partes do corpo de um skatista que mais sofrem impactos e desgastes. Os machucados mais comuns, o tratamento e o que você pode fazer para fortalecer e prolongar suas sessões, evitando que elas se repitam com maior frequência.

Punho
Apesar de fazer parte dos membros superiores, o punho é uma das partes do corpo que mais sofre com impactos decorrentes das quedas de skate. Isso acontece em função de nosso reflexo involuntário: ao perceber o desequilíbrio, colocamos a mão no chão para proteger do tombo.
A região do punho é conhecida como carpo, um grupo de pequenos ossos (radio distal, escafóide, semilunar, piramidal, pisiforme, trapézio, trapezóide, capitato e hamato), que são responsáveis pelos movimentos da mão.  Segundo o ortopedista Dr. Antonio Carlos da Costa, chefe do grupo de cirurgia de mão da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, cerca de 80% dos casos de fratura provocados pelo skate ocorrem no osso escafóide. “É muito comum o skatista cair e fraturar o escafóide, porém, quando vai ao médico, em muitas situações a lesão não é detectada na radiografia e só vai aparecer depois, quando o skatista ainda continua com dor. É muito importante diagnosticar a lesão em sua fase aguda, pois quanto mais tempo demorar para corrigir o problema, mais difícil será a recuperação”. Esse tipo de lesão é mais comum entre skatistas que não possuem muita experiência, pois ao cair tentam apoiar o corpo para aliviar a queda.

O que fazer — No exato momento da queda, caso não tenha uma unidade de socorro por perto, improvise uma tala, coloque gelo por 15 minutos no máximo e vá direto a um pronto socorro para ter atendimento profissional.

Boca
Também acaba sofrendo com as quedas e pancadas provocadas pelo skate, que pode acabar batendo no chão, voltar e se chocar com gengivas e dentes. Nesses casos, fraturas de dentes e cortes em gengivas são comuns. 

O que fazer — A rapidez é um fator primordial para que o seu sorriso continue o mesmo de sempre. Para te ajudar, consultamos a cirurgiã dentista especializada em endodontia pela FUNDECTO (USP), Juliana Xavier da Silveira. “Sempre que ocorre a quebra de um dente ou ele avulsiona (o dente se solta do maxilar), o mesmo fica desidratado. A melhor coisa a fazer é pegá-lo, limpar em água corrente por no máximo 2 segundos sem esfregar e colocá-lo em um meio de armazenamento, mergulhado em um copo de leite, soro fisiológico ou dentro da própria boca. Feito isso, vá direto a um cirurgião dentista em até 30 minutos após o trauma, dessa forma é possível recuperar o dente. Caso não consiga, a chance de insucesso aumenta muito. Se sofrer uma lesão na gengiva, procure lavar somente com água e consultar um profissional para certificar-se que não há fratura no dente ou maxilar”.  

Joelho
Os grandes responsáveis por impulsionar e absorver impactos, nossos joelhos são fundamentais para movimentarmos as pernas. Ao lado dos tornozelos, são os pólos de nossos membros inferiores com maior exigência enquanto estamos sobre um skate. E por serem bastante exigidos, os longos anos de dedicação como skatista podem causar desgaste em articulações, lesões em tendões e ligamentos. É muito comum skatistas que já sofreram intervenções cirúrgicas devido a entorses ou pancadas mais vigorosas. Por esse motivo, um trabalho muscular e de fortalecimento é fundamental para evitar problemas mais sérios.

Tornozelo
Nossos tornozelos são as articulações que estão mais próximas do skate e, portanto, sofrem traumas e torções com maior regularidade. São eles que nos permitem fazer movimentos para dar ollies e flips, porém, basta pisar errado na volta de uma manobra que aquela pontada de dor aparece no ato. Os tendões e ligamentos são os mais afetados, e quanto mais longa a carreira de um skatista, maior o desgaste da região. É sempre muito importante ter um acompanhamento médico para que o problema não se torne crônico. Em muitas ocasiões, um tratamento que não tenha sido feito conforme as orientações de um profissional pode gerar graves problemas.


Recuperação
— O tratamento para recuperação de lesões em articulações - seja no punho, joelho ou tornozelos - são semelhantes, pois tratam dos danos ocorridos em ligamentos e tendões. O Dr. Thiago Zanoni Neves “Pino”, skatista, fisioterapeuta especializado em fisiologia do exercício e idealizador do projeto Skate Saúde, comentou um pouco sobre reabilitação e recuperação: “A reabilitação destas lesões é dividida em tratamentos conservadores (medicamentoso e imobilização) ou cirúrgicos, dependendo do grau da lesão. O tratamento fisioterapêutico busca a diminuição da dor (através de técnicas de eletroterapia e termoterapia), volta da amplitude de movimento (através de técnicas de alongamento ativo e passivo), restabelecimento da força (treino de força em cadeia cinética aberta e fechada) e da propriocepção (percepção do movimento e da orientação das partes do corpo com relação ao próprio corpo e ao espaço treinado através de exercícios que envolvam deslocamento e equilíbrio) e a volta gradativa ao esporte, onde o principal foco é fazer com que o skatista retorne a prática do skate com segurança e em menor tempo possível”.

Prevenção
Uma forma de prevenir a ocorrência de lesões é sempre realizar um bom aquecimento antes das sessões de skate. Fazer alongamentos e manobras simples, como variações de ollie e manobras de solo. É importante fazer um trabalho de fortalecimento e resistência, através de musculação e exercícios cardiorespiratórios (como corrida e natação), assim como de flexibilidade (Yôga, Pilates), exercitando o corpo como um todo. Dessa forma o skatista consegue prolongar sua vida útil sobre o skate.  


Esta matéria foi publicada na edição 04 - ANO 14, em 2009.

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