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The White Desert

(foto Marcos de Souza) False

Por CemporcentoSKATE

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08/10/2018

Marcos de Souza foi convidado pra um projeto incomum: gravar um vídeo de skate num lago de sal na Bolívia. O videomaker, nascido em Fortaleza (CE) tornou-se conhecido quando fez "A Place for Everybody" (2010).

Marcos fala sobre o trabalho, chamado "White Desert", filmado no deserto de Uyuni com os skatistas Angelo Caro, Luciano Cristobal, Jaakko Ojanen e Vladik Scholz.



Como surgiu o convite?

Gaston Francisco teve essa ideia e comentou comigo. Cerca de um ano depois, quando ele conseguiu viabilizar, me convidou para dirigir a parte audiovisual. Conheço o Gaston desde que comecei a trabalhar com a Red Bull, por volta de 2012.


Vários outros brasileiros estavam no projeto.

Sim! O Marco Savino fez segunda unidade de câmera e assistência. O Andre Porto fez o motion na pós produção e o Saulo Castro colorizou.


Como Gaston teve esta ideia?

Durante um dos seus períodos de férias, há cerca de 20 anos, Gaston esteve num hotel construído com sal e maos tarde teve a ideia de fazer obstáculos com o mesmo material. Depois veio o contato com os trabalhadores que fizeram o hotel e começamos a estudar a viabilidade do projeto. Durante as filmagens, ficamos hospedados nesse hotel, que era nosso refúgio.


Quanto tempo você ficou lá?

Foram duas semanas, pois cheguei pra documentar toda a construção, feita pelo Tino Arena. Os skatistas chegaram com tudo pronto e andaram por cinco dias.


E a superfície, como era? Descreve pra gente.

Era bem complicado. Na primeira impressão não acreditei que seria possível andar de skate lá. Com as rodas grandes, com o skate de filmar, simplesmente não andava mais do que três metros depois de dar um impulso. Estudamos muito a pedra de sal até encontrar a camada perfeita onde o skate conseguia rodar. Era uma superfície bem bem áspera, que machucava bastante, fazendo algo parecido com queimaduras nos skatistas.


E pra filmar? O que era diferente, em relação a uma situação normal?

Com esse solo, era impossível manejar outro skate. Assim eliminamos a possibilidade de gravar de fisheye e fazer travelings com o skate. Trocamos por movimentos mais estáveis com drones e gimbals, mas com a altitude e a falta de oxigênio ficávamos muito cansados e sem ar.


Tinha um problema sério com as baterias, certo?

O solo de sal é rico em lítio e  roubava toda as cargas das baterias, de todos os devices: câmeras, drones e telefones. Uma bateria de drone que dura 23 minutos lá não durava mais do que 8 minutos. Praticamente todas as baterias duravam cerca de 30% menos do que durariam em condições normais.


E as condições climáticas? Como eram?

3600m de altitude. Variação grande de temperatura, entre 16 a -18 graus. Quando o sol se punha nos recolhíamos pro hotel rapidamente, pois a temperatura caia rapidamente. A cor branca do sal refletia com tamanha intensidade que era praticamente impossível enxergar alguma coisa no visor da câmera. Eu suava sempre óculos e eyepiece pra enxergar as telinhas.


Qual a satisfação de ver o filme pronto?

Ver o projeto tomando forma é a parte mais interessante para mim. Poder retratar isso para as pessoas escutar os comentários, com o vídeo já pronto, é a melhor parte. É a certeza de ter atingido o objetivo de levar o skate e fazer algo num local onde pensamos que não seria possível. Satisfação em ver que as pessoas gostaram da ideia de levar o skate a espaços desconhecidos.

Vídeo aqui

 
 
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